Já faz um tempo que vi o filme, acho até que seria um tanto injusto comentar sobre ele, contudo, apesar das falhas da memória eu optei por e...

Trama Fantasma (The Phantom Thread)

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Já faz um tempo que vi o filme, acho até que seria um tanto injusto comentar sobre ele, contudo, apesar das falhas da memória eu optei por escrever esse texto. Existe, e é verdade, muita filosofia nas artes, e hoje trago um exemplo desses à vocês.

Phantom Thread é um filme e tanto! Foi indicado ao Oscar de 2018 merecidamente, ganhou na categoria de Melhor Figurino (não me surpreende dada a trama do filme que já falaremos sobre). Agora vou passar a ficha técnica para vocês.

Diretor e roteirista: Paul Thomas Anderson;
Elenco: Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps, Lesley Manville

Phantom Thread (2017)

Trama:

A enredo do filme é sobre um estilista famoso, Reynalds Woodcock - interpretado brilhantemente pelo Daniel Day-Lewis! -, um dos maiores nomes no ramo de toda a Europa e talvez do mundo! Reynalds é um sujeito super dedicado ao trabalho, mora com sua irmã Cyrill (Lesley Manville), conta com uma vasta equipe de funcionárias que o ajudam na confecção dos vestidos, que, não raramente, são usados por famosas, rainhas e princesas. Porém o tão dedicado estilista sofre de um mal: não há uma mulher que aguente conviver com ele! Sua rotina de trabalho, seu jeito metódico e sua personalidade muda drasticamente quando está sob pressão, e isso não é incomum. Então, após um término de relacionamento, Reynalds parte para um restaurante e fica maravilhado com uma garçonete, seu nome é Alma; o estilista, já reconhecido pela jovem, leva-a para uma antiga casa, decide usá-la de molde para seus vestidos e todos ficam lindos nela. Reynalds encontrara a modelo ideal. A presença da jovem, por sua vez, traz uma série de confusões e sentimentos estranhos para o estilista. 

Essa é a trama. Simples e bem clara pelo título do filme, contudo ela consegue ser bem mais profunda, tanto é que estamos falando de um drama, não romance, nem suspense. Acho melhor evitar qualquer spoiler sobre o filme para não estragar a surpresa daqueles que assistirão. Falarei agora sobre minha experiência com o filme.

Diretor

Minha história parte do diretor: Paul Thomas Anderson. Nunca vi um filme dele sequer, e sei que ele é um diretor consagrado tanto pelo "Sangue Negro" quanto por "Magnólia". Decidi começar, mas não sabia por onde, afinal não tenho muito conhecimento sobre tecnologia para sair baixando filmes por aí (e digamos que meu computador não ajuda); golpe de sorte do destino foi ter me dado um filme fresquinho dele e de ótima qualidade. Em outras palavras, meu interesse no filme se deu pelo diretor - mas não pensem que isso mina o caráter crítico!

O filme:

O filme é muito bom, ele te prende, tem uma história envolvente, os atores estão excelentes, e existe um interesse real para entender a parte "fantasmagórica" do título do filme; o ponto fraco é a duração. Realmente, é necessário um tempo do filme dedicado ao desenvolvimento dos personagens em pequenos gestos - e isso ocorre bastante no filme, não sei se é um traço autoral do diretor, quem souber pode comentar nesse post -; mas existem momentos que eu realmente quase dormi, de cansar a vista mesmo, esse foi, provavelmente, o único defeito do filme para mim.

Trilha sonora, elenco, figurino... Porém existe um ponto que me impressionou: a fotografia. Não sei bem se é coisa da minha mente, se a câmera usada nas gravações é velha ou se é uma edição de vídeo, mas quando reparei na fotografia do filme eu me apaixonei. O filme se passa em algum momento da Guerra Fria (isso é revelado no 2º ou 3º ato, antecipo a informação por achar necessário), existe uma moda de uma época dos anos 50/60, é perceptível, inclusive pelos "valores" daquele tempo; o diretor consegue te colocar muito bem naquele espaço de tempo, realmente você entra no clima, no "espírito do tempo", o diferencial para mim está na câmera: ela parece sofrer um efeito de desfocada, um desfoque causado pelo tempo, pela velhice mesmo, uma máquina antiga, contudo, ao mesmo tempo, ela mostra com muitos detalhes as feições dos atores, algo que só uma câmera de boa qualidade e, penso eu, recente, poderia trazer. Isso me fascinou ao ver o filme.

Um ponto central também é o tal do clima "fantasmagórico", existe um "espectro" que ronda a história do filme; só entenderemos ele ao final da trama: já antecipo que é bastante reflexivo.

Daniel Day-Lewis and Vicky Krieps in Phantom Thread (2017)

Conclusão:

Vá assistir o filme. Vá assistir o filme com paciência. Se questione ao final do filme, você precisa fazer isso para entender a complexidade da trama. Admire o som, a imagem, os diálogos, os pequenos gestos. Tenha um ótimo filme.


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